segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Isidore Ducasse




...Ó velho oceano, (...) abismos há em ti que as mais longas sondas, e as mais pesadas, confessaram ser inacessíveis. Aos peixes... isso é permitido: não aos homens. A mim mesmo perguntei por vezes que seria mais fácil de conhecer: a profundidade do oceano ou a profundidade do coração humano? Muitas vezes, com a mão em pala sobre a testa, de pé nos barcos, enquanto a lua se balançava entre os mastros de um modo irregular, surpreendi-me abstraindo de tudo o que não era o fim que pretendia, ao esforçar-me por resolver este difícil problema! Sim, qual o mais profundo, o mais impenetrável, o oceano ou o coração humano?...



Lautréamont, "Os cantos de maldoror", Canto I.

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