quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Chego a uma casa nova e trago os velhos fantasmas.Os visíveis, inexpugnáveis. Os que não descansam.Mudo a digamos vida repartida em móveis e estantes.Os meus solícitos avisam que estou a prazo.Que sempre que me habituo desvalorizo o património.Os caixotes são deles território como o céu e as paredes.Se não deixei a sombra não expulsei também esta companhia.Eles são inquilinos, vitalícios como o medo.Uma vita nuova exige novíssimos tormentos.E esta é apenas vida velha em divisões mais amplas.Quis que não viesse alguma carga desnecessária, memórias e bibelôs.Veio tudo, espectral e sem fadiga.Veio dividido em espelhos e duendes que nunca tive.Veio nos amuletos sem efeito, nas fotos onde já não apareço.Vidrinhos que cortam no escuro.Hologramas meus amigos faz décadas.Cada objecto que inauguro ganha o seu deus malévolo.Eles sabem que me venceram.É altura mais que doméstica para me juntar a eles.

Pedro Mexia

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