Assomados, com o andar titubeante das vítimas da
realidade absoluta, desfalecemos em convulsões de
electrochoque no turbilhão da engrenagem triturante
que nos transportou em sucessivas oscilações sísmicas
para o apaziguamento da indiferença e o amargo
isolamento da solidão. Nada é o que era,
nada foi o que sonhamos, apenas visões esfumadas
ao contacto da memória, apenas imprecisas impressões
de um tempo gasto pela usura. Tivemos o mundo, fomos o mundo...
Salve, cadáveres brancos da inocência!
Salve, corpos belos do amor!
Salve, feiticeiros da embriaguez permanente!
Salve, magos da existência não fragmentária!
Salve, pederastas do desejo, junkies do caos, prisioneiros da liberdade!
Salve, irreprimível lúdico!
Salve, criadores de vida, amantes da infância, viciados do presente!
Salve, orfãos perdidos!
Salve! Salve! Salve!

Sem comentários:
Enviar um comentário