sexta-feira, 8 de agosto de 2008

GUMES

Assomados, com o andar titubeante das vítimas da

realidade absoluta, desfalecemos em convulsões de

electrochoque no turbilhão da engrenagem triturante

que nos transportou em sucessivas oscilações sísmicas

para o apaziguamento da indiferença e o amargo

isolamento da solidão. Nada é o que era,

nada foi o que sonhamos, apenas visões esfumadas

ao contacto da memória, apenas imprecisas impressões

de um tempo gasto pela usura. Tivemos o mundo, fomos o mundo...

Salve, cadáveres brancos da inocência!

Salve, corpos belos do amor!

Salve, feiticeiros da embriaguez permanente!

Salve, magos da existência não fragmentária!

Salve, pederastas do desejo, junkies do caos, prisioneiros da liberdade!

Salve, irreprimível lúdico!

Salve, criadores de vida, amantes da infância, viciados do presente!

Salve, orfãos perdidos!

Salve! Salve! Salve!

ADOLFO LUXÚRIA CANIBAL - MÃO MORTA

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